Embrapa tem R$ 622 mi para pesquisa em 2026; veja o que dizem os planos de Lula e Flávio para a ciência no agro
Lula promete fortalecer a estatal com biotecnologia e edição genômica; Flávio prioriza pesquisa em geral e IA, sem citar a Embrapa. Nenhum dos dois fixa orçamento para a área.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) pôs o orçamento da Embrapa entre as prioridades do ano depois que o governo Lula vetou, na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, o trecho que impedia o bloqueio das verbas de pesquisa, infraestrutura e inovação da estatal, além do seguro rural e da defesa agropecuária. “Há também os vetos à LDO, principalmente o não contingenciamento de seguro rural, os recursos para a Embrapa e também os recursos para a extensão rural”, disse em fevereiro o presidente da bancada, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), segundo o Poder360.
Em maio, o Congresso derrubou quatro outros itens do mesmo veto, mas a proteção às despesas do agro ainda não foi votada. A 11 dias do segundo turno, a pesquisa agropecuária aparece de forma desigual nos planos de governo de Lula (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL) registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e nenhum dos dois fixa valor ou meta para a área.
O que dizem os planos
O plano de Lula é o único que cita a Embrapa. “A Embrapa será fortalecida para consolidar a liderança do Brasil em tecnologia agropecuária tropical, com investimentos em biotecnologia, edição genômica e cultivares mais resistentes a pragas e secas”, diz o texto. O documento promete um “programa nacional de resiliência climática no campo”, com incentivo à agricultura de precisão e ao plantio direto e modernização dos alertas meteorológicos, e quer ampliar a produção nacional de bioinsumos “para reduzir a dependência de fertilizantes químicos importados”.
O plano de Flávio tem um capítulo de tecnologia e inovação que começa com o compromisso: “Daremos alta prioridade à pesquisa e ao desenvolvimento, que são a base da inovação”. Propõe uma estratégia nacional de inteligência artificial para micro, pequenas e médias empresas “com prioridade para indústria, agronegócio, saúde e logística” e quer que a Capes e o CNPq passem a “priorizar o impacto produtivo, a inovação e a transferência de tecnologia”.
No capítulo do agronegócio, Flávio defende a produção nacional de fertilizantes com potássio e fosfato, a ampliação da área irrigada, com outorgas mais rápidas, e a bioeconomia “com biotecnologia, fármacos, cosméticos e novos materiais”. O documento não menciona a Embrapa, o melhoramento genético nem o desenvolvimento de cultivares. Os dois candidatos prometem levar internet às áreas rurais: segundo dados citados pela Embrapa, em março de 2025 só 33,9% da área agricultável do país tinha cobertura 4G.
Verba cresceu, mas execução é lenta
A Embrapa tem R$ 5,45 bilhões no Orçamento de 2026, segundo o Portal da Transparência, e 83% vão para pessoal e encargos. O custeio e os investimentos do programa de pesquisa e inovação agropecuária somam R$ 622 milhões. Até a atualização mais recente do portal, de 10 de outubro, R$ 370 milhões tinham sido empenhados, ou reservados para pagamento, e R$ 169 milhões pagos, 27% do total. Na ação de manutenção e modernização das unidades, de R$ 225 milhões, foram pagos R$ 8,6 milhões.
Em valores nominais, sem correção pela inflação, essa verba de pesquisa evoluiu assim, pelo orçamento atualizado de cada ano, segundo cálculo do Campo em Pauta com dados do portal:
- 2019: R$ 311 milhões
- 2020: R$ 248 milhões
- 2021: R$ 250 milhões
- 2022: R$ 247 milhões
- 2023: R$ 334 milhões
- 2024: R$ 389 milhões
- 2025: R$ 473 milhões
- 2026: R$ 622 milhões
O Centro-Oeste concentra unidades de pesquisa como a Embrapa Cerrados, em Planaltina (DF), a Embrapa Arroz e Feijão, em Santo Antônio de Goiás (GO), a Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande, a Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados (MS), a Embrapa Pantanal, em Corumbá (MS), e a Embrapa Agrossilvipastoril, em Sinop (MT). Em agosto, a estatal entregou aos candidatos uma agenda que pede “ampliação e estabilidade dos investimentos em ciência, tecnologia e inovação agropecuária”, com foco em biotecnologia, agricultura de precisão e melhoramento genético.
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, disse à CNN em abril que o custeio e o investimento da pesquisa passaram de cerca de R$ 167 milhões, quando assumiu, em 2023, para R$ 414 milhões em 2026, e que o ideal é que a estatal “chegue a R$ 500 milhões no mínimo”. “É importante derrubar esse veto no sentido de que a pesquisa agropecuária tem que ser blindada”, afirmou.
Com informações de CNN Brasil, TSE (planos de governo registrados), TSE (propostas de governo 2026, dados abertos), Portal da Transparência (Embrapa), Portal da Transparência (orçamento da despesa, 2019 a 2026), Agência FPA, Poder360, Congresso Nacional (Veto 51/2025, partes rejeitadas), CNN Brasil (entrevista de Silvia Massruhá) e Embrapa (Agenda estratégica para a agricultura do Brasil).



