Campo em Pauta
Receba no WhatsApp
Campo em Pauta

Notícias do agronegócio

Agricultura

Metade do algodão ainda esperava beneficiamento no fim de setembro, e prazos de exportação entram no radar

Abrapa aponta 49% da safra beneficiada até 25/9; embarques de setembro somaram 191,5 mil toneladas, metade de MT. Advogada alerta para contratos sem regra clara para atrasos.

Por Redação Campo em Pauta ·

Fileira de rolos de algodão em caroço embalados em plástico amarelo sobre solo vermelho, sob céu azul
Rolos de algodão em caroço à espera do transporte para a algodoeira, em Barreiras (BA), em 2013. Foto: PETRÔNIORAMALHO (CC BY-SA 4.0)

A colheita do algodão da safra 2025/26 terminou, mas cerca de metade da fibra ainda não estava pronta para embarque no fim de setembro. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), 49% da produção havia passado pelo beneficiamento até 25 de setembro. O intervalo entre o campo e o porto voltou a ser tema entre exportadores, porque a pluma precisa estar beneficiada e classificada para cumprir os prazos de embarque fechados em contrato.

O beneficiamento é feito nas algodoeiras, que separam a fibra (pluma) do caroço e prensam os fardos. Depois, cada fardo passa pela classificação de qualidade em laboratório. Até o fim de setembro, os laboratórios ligados à Abrapa tinham analisado 10,2 milhões de fardos, 54% dos cerca de 19 milhões previstos para a safra.

Campo terminou antes da indústria

Pelo acompanhamento semanal da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita chegou a 95,6% da área nos sete principais estados produtores até 11 de setembro e foi concluída na semana encerrada em 25 de setembro. Nas algodoeiras, o ritmo é mais lento por natureza: o beneficiamento estava em 20% em meados de agosto e em 39% no fim daquele mês, segundo a Abrapa.

O descompasso se repete todo ano, já que as algodoeiras trabalham até o fim do ano. Em 2025, a Abrapa registrava 40,8% da safra beneficiada em 18 de setembro. Em 2024, eram 49% em meados de setembro.

Para a advogada Cristiane Secco, do escritório Albuquerque Melo Advogados, esse intervalo pode virar disputa quando estoura o período de embarque previsto no contrato. “O mercado costuma tratar atraso de beneficiamento como um problema operacional. Contratualmente, ele não é neutro”, afirmou, segundo o Canal Rural. Ela diz que a prorrogação do prazo e a divisão de custos como armazenagem, frete e sobre-estadia de navios dependem do que foi acertado entre as partes.

Mato Grosso puxa os embarques

Mato Grosso responde por cerca de dois terços do algodão do país. A Conab estima a safra brasileira 2025/26 em 4,14 milhões de toneladas de pluma, recorde da série, das quais 2,8 milhões de toneladas no estado. Mato Grosso do Sul deve colher 67,4 mil toneladas, e Goiás, 59,9 mil toneladas.

Os embarques ganharam ritmo com a chegada da pluma nova. Em setembro, o Brasil exportou 191,5 mil toneladas de algodão, alta de 7,1% sobre setembro de 2025, com receita de US$ 332,4 milhões, segundo o Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Mato Grosso enviou 94,4 mil toneladas, ou 49% do total. Somados agosto e setembro, o país embarcou 297,9 mil toneladas, 16,2% a mais que um ano antes, e Mato Grosso, 156,5 mil toneladas, alta de 30,1%, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

A primeira parcial de outubro da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), com os embarques até o dia 11, tem divulgação prevista para esta terça-feira (13), às 15h. Em outubro de 2025, o país exportou 293,9 mil toneladas.

Os produtores mato-grossenses já tinham vendido 78,74% da pluma da safra 2025/26 em setembro, segundo o Imea, que estima em 2,09 milhões de toneladas as exportações do estado com essa produção, no ciclo comercial que vai de agosto de 2026 a julho de 2027. Na semana passada, a arroba da pluma em Mato Grosso teve média de R$ 129,90, queda de 0,88% em relação à semana anterior.

O Brasil fechou o ano comercial 2025/26, de agosto de 2025 a julho de 2026, com o recorde de 3,37 milhões de toneladas exportadas e receita de US$ 5,3 bilhões, alta de 19% no volume, segundo a Abrapa. Para 2026/27, a Conab projeta área de 2,09 milhões de hectares e produção de cerca de 4,2 milhões de toneladas de pluma. Na Câmara Setorial do Algodão, em 15 de setembro, a Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) previu novo recorde de exportações, mas com compradores mais cautelosos, e citou o porto de Salvador como alternativa a Santos.

Com informações de Canal Rural, Abrapa (Relatório de Qualidade, setembro/2026), Abrapa (Relatório de Safra, agosto/2026), Abrapa (Câmara Setorial do Algodão), Conab (12º levantamento da safra 2025/26), Conab (Progresso de Safra), Agência Gov/Conab (Perspectivas para a Agropecuária 2026/27), Imea (Boletim Semanal do Algodão nº 843) e Comex Stat/MDIC.

Mais em Agricultura